Setor agropecuário também é altamente impactado com alta do diesel

Publicado em 25 de maio de 2018

O setor agropecuário, junto com o setor de transporte rodoviário, é um dos mais afetados pelas crescentes altas do diesel. Praticamente tudo nas propriedades rurais é movido pelo combustível. Máquinas agrícolas como tratores e colheitadeiras, geradores e até o transporte dos insumos para as fazendas e o escoamento da safra é feita por veículos a diesel.

Segundo o presidente do Sindicato Rural do Distrito Federal, Geovani Müller, o custo do diesel que, há 15 anos, era insignificante e nem entrava no custo de produção, hoje já impacta com um grande percentual. “O lucro que nós pensávamos que iriamos ter, hoje nós já estamos gastando em diesel. O produtor utiliza o diesel na produção, no transporte e em tudo no seu dia-a-dia. A queda do valor líquido que sobra ao produtor é muito impactada pela alta do combustível”, ressaltou Müller.

De acordo com o Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Distrito Federal (FAPE-DF), houve um aumento de cerca de 30% no diesel, de agosto de 2017 até maio de 2018. Na produção da soja, por exemplo, o diesel era responsável por 4,7% do custo da produção, hoje é responsável por cerca de 6,1%. E no milho, no mesmo período, passou de 7,6% para 9,9% do custo total da produção. “O valor das commodities está sendo muito impactada no final, por conta do diesel”, afirmou Geovani Müller, que disse que o SRDF é favorável e está mobilizando produtores para participar do protesto em Brasília.

Acordo pode por fim as manifestações

Após horas de reunião, caminhoneiros e entidades ligadas aos mesmos chegaram a um acordo preliminar com o governo na noite de ontem (24), mas mesmo assim, muitas estradas continuam parcialmente bloqueadas. Muitos dos caminhoneiros que participam das manifestações dizem não ser representados pelas entidades que realizaram o acordo com o Planalto. Confira os principais pontos acordados:

– Alíquota da Cide sobre o diesel zerada até o fim do ano;

– Redução do preço do diesel em 10% por 30 dias. O valor ficará fixo em R$ 2,10 nas refinarias pelo período;

– Ajustes a cada 30 dias do preço do combustível, conforme a política de preços da Petrobras, e fixação por mais um mês;

– Garantia de que não haverá reoneração da folha de pagamento do setor de cargas;

– Reedição da tabela de frete a cada três meses;

– Extinção de ações judiciais contrárias ao movimento;

– Negociação de multas aplicadas aos caminhoneiros em decorrência da paralisação;

– Reuniões periódicas entre as entidades representantes da categoria e o governo;

– Contratação, pela Petrobras, de caminhoneiros autônomos como terceirizados para prestação de serviços

Entenda os protestos

Os protestos dos caminhoneiros, que está ocorrendo em todo o país, têm o objetivo de reivindicar a diminuição dos tributos sobre o diesel e a tabela de preços para o frete. Com a economia desaquecida, os caminhoneiros não conseguem repassar a alta dos combustíveis para o frete e isso está causando prejuízos para os motoristas.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou que a estatal fará uma redução de 10% no preço do óleo diesel para os próximos 15 dias. A medida significa uma redução de R$ 0,25 no preço do combustível. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também anunciou, no dia 22, última terça-feira, um acordo com o Planalto para zerar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que resultaria em um impacto de R$ 0,05 no litro do diesel. Maia defende agora que o governo reduza a alíquota de outro imposto, o PIS/Cofins, para tentar baixar ainda mais o preço do diesel na bomba.

Apesar de não existir uma organização liderando a paralização, que começou através das redes sociais, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que congrega a maioria dos sindicatos de motoristas autônomos, no momento, é a principal entidade envolvida nas negociações com o governo, e também a Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam) e União Nacional dos Caminhoneiros do Brasil (Unicam).

Pontos de paralização

O último balanço dos grevistas, do começo da noite de quarta, mencionava 253 pontos de protestos, atingindo 23 estados brasileiros e o Distrito Federal.